Pesquisa olho por olho alerta para falta de empatia e distorção do conceito de direitos humanos

Dados da pesquisa “Olho Por Olho? O Que Pensam os Cariocas Sobre ‘Bandido Bom É Bandido Morto'”, do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), da Universidade Cândido Mendes, divulgada em julho de 2017, apontam que 37% da população do Rio de Janeiro concorda com a frase “brandido bom é bandido morto”, 60% dos cariocas disseram discordar e 3% são neutros. A pesquisa ouviu 2.353 pessoas com 16 anos ou mais entre março e abril de 2016.

Como doutoranda em psicologia e especialista em desenvolvimento do potencial humano entendo que, apesar da maioria da população ter se manifestado contra a frase “bandido bom é bandido morto”, chama a tenção o alto índice de concordância e até mesmo de pessoas que se manifestaram como neutras na pesquisa.

Mais do que o tema da pesquisa em si, acredito que os números apontam para uma perda da empatia pelo próximo e a dificuldade de enxergar o outro como ser humano.

Por definição, entende-se por empatia cognitiva a capacidade de compreender as maneiras de ver e pensar de outras pessoas. Uma das consequências do fluxo frenético de distrações que enfrentamos hoje em dia é uma erosão da empatia e da compaixão. Ver através dos olhos dos outros e seguir sua linha de pensamento nos ajuda a gerar relacionamentos de confiança mútua, consentimento, cooperação e abertura às ideias do outro. Mas a empatia depende de um esforço da atenção e, infelizmente, estamos cada vez mais focados em nós mesmos e sem disposição para considerar como seria estar no lugar do outro. Tudo isso impacta na própria percepção que temos sobre o que significam os direitos humanos.

É o que mostra a pesquisa que constatou que o conceito de diretos humanos está em baixa ente os cariocas. 73% acham que direitos humanos atrapalham o combate ao crime. No entanto, menos da metade acha que bandidos não merecem ter direitos.

Entender que o outro sente como nós e que existem outras saídas é um passo fundamental para formar uma sociedade que dê oportunidades ao invés de excluir. Não podemos concordar com o erro nem com o crime, mas quando assinamos em baixo do conceito “bandido bom é bandido morto”, concedemos passe livre para julgamentos sumários que certamente não se baseiam em conceitos de justiça. Parece que enquanto acontece no quintal do vizinho muitos não se importam, mas aceitaríamos um julgamento sumário, sem chance defesa ou regras claras, para um dos nossos?

By Comments off 06/11/2017